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Vila da Glória, o centro da sua viagem.

Carta ilustrada da Baía da Babitonga, desenhada sobre a geografia real. Toque nos ícones para descobrir cada experiência e no marcador da Vila da Glória para vê-la de perto.

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Histórias e segredos da Babitonga

O que vale a pena saber sobre este lugar: como foi povoado, quem viveu aqui antes de nós, e a vida que habita a baía, o mangue e a mata. Toque em cada tema para ler — e teste-se na pergunta intrigante.

🐚 Os primeiros moradores: os sambaquisMilhares de anos antes de qualquer navegador
Ferramentas de pedra dos sambaquis · Museu Arqueológico de Sambaqui, Joinville
Ferramentas de pedra dos sambaquis · Museu Arqueológico de Sambaqui, JoinvilleWebysther · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Ilha da Rita: há um sambaqui na ponta noroeste
Ilha da Rita: há um sambaqui na ponta noroeste

Muito antes dos portugueses, povos pescadores-coletores viveram nas margens da Babitonga e deixaram os sambaquis: montes de conchas, ossos de peixe, ferramentas e sepultamentos que chegam a ter vários metros de altura e milhares de anos de idade. Há dezenas deles espalhados pela baía — inclusive um na Ilha da Rita, bem em frente ao Estaleiro.

Quer ver de perto? O Museu Arqueológico de Sambaqui, em Joinville, reúne o acervo da região.

Fonte: Univille, Ilha da Rita (livro digital).

🤔 Pergunta intrigante

Se os sambaquis são "lixeiras de conchas", por que alguns têm forma regular, camadas organizadas e sepultamentos no centro?

⛵ Uma das cidades mais antigas do BrasilSão Francisco do Sul, 1504
O Centro Histórico visto da baía
O Centro Histórico visto da baía
Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça
Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça
Casarões coloniais
Casarões coloniais

Em 1504 o navegador francês Binot Paulmier de Gonneville aportou na ilha de São Francisco — um dos primeiros contatos europeus com o litoral do Brasil. O povoamento definitivo veio em 1658, e hoje o centro histórico da cidade, com seus casarões coloniais à beira da baía, é tombado pelo IPHAN (1987).

A Vila da Glória fica na parte continental do município, no distrito do Saí: a mesma baía, vista do outro lado.

🤔 Pergunta intrigante

Se os franceses chegaram em 1504, por que a cidade só foi fundada 150 anos depois?

🇫🇷 O Falanstério do Saí (1841)Uma utopia francesa na Babitonga
Benoît Jules Mure, litografia de 1844
Benoît Jules Mure, litografia de 1844Iconografia. Litogravura feita na Tipografia Francesa em 1844 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O plano de um falanstério, segundo Fourier
O plano de um falanstério, segundo Fourierautor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons
Charles Fourier, o filósofo da utopia
Charles Fourier, o filósofo da utopiaJean Gigoux · Public domain · Wikimedia Commons

Em 1841 chegaram ao Saí colonos franceses liderados pelo médico Benoît Jules Mure, seguidor das ideias do filósofo Charles Fourier. O sonho era um falanstério: uma comunidade cooperativa, sem patrões, em que o trabalho se dividiria com a arte, a leitura e o teatro. Uma divergência interna logo separou o grupo em dois núcleos — o do Saí, com Mure, e o do Palmital, com Michel Derrion.

A experiência durou poucos anos, mas deixou marcas: a Rua do Falanstério, aqui na Vila, lembra o episódio, e Mure, que em 1842 fundou no Saí um instituto de homeopatia, tornou-se um dos pioneiros dessa prática no Brasil.

Fontes: NSC Total, "Um pedacinho da França" (2024); Wikipedia, "Benoît Jules Mure".

🤔 Pergunta intrigante

Por que uma comunidade que prometia trabalho leve, arte e teatro desmoronou em menos de três anos?

⚓ Ilha da Rita e a Segunda GuerraA base naval em frente ao Estaleiro
A Ilha da Rita vista da Vila
A Ilha da Rita vista da Vila
As construções da antiga base
As construções da antiga base
Ruínas e mata na ilha
Ruínas e mata na ilha

A pequena ilha (cerca de 3,5 hectares) que se vê do Estaleiro foi, por décadas, uma base de abastecimento da Marinha. As obras começaram em 1937 e a inauguração, em 9 de março de 1940, contou com a presença do presidente Getúlio Vargas. Como a ilha não tinha nascente, a água chegava por dutos vindos do continente.

Durante a Segunda Guerra Mundial a base viveu seu auge, abastecendo os navios da esquadra brasileira com água e óleo combustível. Foi desativada em 1967 e, desde 1999, é cuidada pela Univille como espaço de pesquisa e ensino. Ainda guarda as construções da época — e um sambaqui.

Fonte: Univille, Ilha da Rita (livro digital).

🤔 Pergunta intrigante

Por que a Marinha escolheu justamente uma ilha sem uma gota de água doce para abastecer navios com água?

🌊 A Baía da BabitongaO maior estuário de Santa Catarina
A baía ao entardecer
A baía ao entardecer
Manguezal: berçário da vida marinha
Manguezal: berçário da vida marinhaLuiz paulo marques de souza · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Pesca artesanal no trapiche
Pesca artesanal no trapiche

São cerca de 160 km² de água abrigada, onde deságuam rios como o Palmital, o Cubatão e o Cachoeira. Formada por vales afogados pelo mar, a baía é um berçário natural: é aqui que muitos peixes, camarões e caranguejos nascem antes de ganhar o oceano — o que explica a tradição da pesca artesanal e das ostras cultivadas.

Suas margens concentram cerca de 75% dos manguezais de Santa Catarina, floresta de raízes que filtra a água, segura o solo e alimenta aves e peixes. Em 1935, o fechamento do Canal do Linguado, no sul da baía, mudou a circulação das águas — uma das razões pelas quais a Babitonga é hoje tão estudada e protegida.

Fontes: ICMBio/CEPSUL; UFSC; ABEQUA (2011).

🤔 Pergunta intrigante

Uma baía pode "ficar doente" por causa de uma estrada?

🐬 Botos-cinza e toninhasOs golfinhos que vivem na baía
Boto-cinza (Sotalia guianensis)
Boto-cinza (Sotalia guianensis)Amandine Bordin · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Caçando na superfície
Caçando na superfícieAmandine Bordin · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Toninha (Pontoporia blainvillei), ilustração de 1847
Toninha (Pontoporia blainvillei), ilustração de 1847in Alcide d'Orbigny · domínio público · Wikimedia Commons
A área dos botos, na saída da Vila
A área dos botos, na saída da Vila

O boto-cinza (Sotalia guianensis) vive o ano inteiro na Babitonga: a população residente é estimada em cerca de 200 animais, uma das mais ao sul de toda a distribuição da espécie. Costumam aparecer em grupos, caçando perto dos trapiches e dos canais mais fundos.

A baía abriga também a toninha (Pontoporia blainvillei), o menor golfinho do Atlântico Sul: cerca de 1,5 m, bico longo e fino, dorso acinzentado e um jeito tímido de respirar quase sem mostrar o corpo — por isso é tão difícil de ver. Vive só aqui, do Espírito Santo à Argentina, e está criticamente ameaçada: estima-se em torno de 50 animais na Babitonga. Se vir um "boto" pequeno, de nadadeira baixa e arredondada, que some sem saltar, provavelmente foi uma toninha. Completam a lista a lontra e, no inverno, a baleia-franca na costa.

  • Observe do trapiche ou de barco a distância, com o motor em marcha lenta.
  • Nunca alimente nem tente tocar os animais.
  • Nada de lixo na água: sacolas e linhas de pesca são o maior perigo para eles.

Fonte: ICMBio/CEPSUL, revisão de mamíferos aquáticos da Babitonga (Cremer et al.).

🤔 Pergunta intrigante

Boto ou toninha? Como saber qual golfinho você acabou de ver — e como os pesquisadores "sabem o nome" de cada boto?

🦩 Fauna e flora: o que você pode verMata Atlântica, mangue e baía
Guará (Eudocimus ruber)
Guará (Eudocimus ruber)Clément Bardot · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Bugio-ruivo (Alouatta guariba)
Bugio-ruivo (Alouatta guariba)Peter Schoen · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
Fauna da Vila
Fauna da Vila
Guará na mata
Guará na mataJaime Spaniol · CC0 · Wikimedia Commons

Nas águas e no mangue: garças brancas e azuis, biguás, socós, martins-pescadores e, com sorte, o guará — a íbis vermelha que voltou a ser vista na baía. Caranguejos-uçá andam entre as raízes de mangue-vermelho, mangue-branco e siriúba.

Na mata: a Serra do Mar que desce até a Vila é Mata Atlântica preservada: tucanos, gaviões, beija-flores, bugios que "cantam" ao amanhecer, capivaras à beira dos rios, bromélias e orquídeas nos troncos, palmito-juçara e figueiras centenárias.

Espécies ameaçadas que dependem da baía: boto-cinza, toninha, guará, bicudinho-do-brejo e o maçarico-de-papo-vermelho, ave migratória que vem do Ártico.

Fontes: Correio da Manhã / Projeto Caminhos do Mar (Univille–IFC), 2024; ABEQUA (2011).

🤔 Pergunta intrigante

Por que o guará é vermelho-vivo — e por que, longe daqui, ele pode ficar rosa?

🪶 Os Guarani, ontem e hojePovo originário da região
Artesanato Guarani Mbya
Artesanato Guarani MbyaVinnykarai · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Cestaria feita com taquara
Cestaria feita com taquaraOdara Santos · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Quando os europeus chegaram, o litoral era território Guarani. Comunidades Guarani Mbya continuam vivendo em aldeias na região de São Francisco do Sul e Garuva, mantendo língua, artesanato e um modo de vida ligado à mata. Se encontrar artesanato Guarani à venda, é uma lembrança com história de verdade.

🤔 Pergunta intrigante

Quantos nomes ao seu redor são palavras Guarani?

Agenda

Eventos na Vila da Glória e região

Festas, festivais, shows e apresentações dos próximos meses, com data e uma resenha curta. Eventos passados somem sozinhos da lista.

Organiza um evento na Vila ou na região? Mande para o guia pelo WhatsApp — divulgamos gratuitamente. Datas e programações podem mudar: confirme com o organizador.

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Uma lembrança do lugar

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